segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Soneto à Lua

Soneto à Lua
Vens chegando de tão longe, tão cansada,
Tão frágil e tão pálida vens vindo,
Que pareces, ó doce Lua amiga,
Vir impelida pelo vento leve.

Pelo vento gentil que está soprando
Tu pareces tangida, como um barco
Como as suas louras velas enfunadas,
E vens a navegar nos altos mares...

Atravessando campos e cidades,
Quantas artes e sortes não fizeste,
Ó triste Lua dos enamorados!

Quantas flores e virgens distraídas
Não seduziste para a estranha viagem
Por esse mar de amor, cheio de abismo!

Augusto Frederico Schmidt
Fonte: Novíssima Gramática da Língua Portuguesa; Domingos Paschoal Cegalla

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