sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Cárcere das Almas - Soneto - Cruz e Souza - Imagens - Montevidéu - Uruguai


Ah! Toda a alma num cárcere anda presa,
Soluçando nas trevas, entre as grades
Do calabouço, olhando imensidades,
Mares, estrelas, tardes, natureza.

Tudo se veste de uma igual grandeza
Quando a alma entre grilhões as liberdades
Sonha e, sonhando, as imortalidades
Rasga no etéreo Espaço da Pureza.

Ó almas presas, mudas e fechadas
Nas prisões colossais e abandonadas,
Da Dor no calabouço, atroz, funéreo!

Nesses silêncios solitários, graves,
Que chaveiro do Céu possui as chaves
Para abrir-vos as portas do Mistério?!

Cruz e Sousa

Fonte: Literatura Brasileira - José de Nicola

Imagens: Monumento a Artigas - Montevidéu - Uruguai

Foto: Jorge

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