terça-feira, 18 de novembro de 2014

O Mate - Omair Trindade - Imagem - O Mate em Cancun - México


Das gargantas dos Guiará 
Se esparramou por aqui -
 
Era o caá  caá-y
Quente ou frio conforme o caso
 
Banhando em verde o ocaso
 
Da conquista guarani
 
Era a América, era a selva,
 
A cachoeira desatada,
 
O chão da terra molhada,
 
- Verde eterno no seu pranto -
 
A erva, o remédio santo
 
De uma raça violentada.
 

Quando o Rio Grande nascia
 
Já no século dezoito,
 
Trazendo no gesto afoito
 
Fome de pátria e fronteira
 
Cortava a cuia campeira
 
De um fruto em forma de oito.

É o gaúcho que surgia
 
Como um centauro do chão,
 
Abrindo rumo a facão
 
Pelas páginas da história
 
Alvoreceu para a glória,
 
Tendo uma cuia na mão.
 

Ao desenhar a fronteira
 
Do Brasil, da Argentina,
 
Do Uruguai, a cristalina

Vertente do Cone Sul, 
Deus deu ao Rio Grande do Sul
 
O galpão como cantina
 
E no galpão foi o mate
 
Cachimbo da paz e flor 
Foi a fonte de calor
 
Que irmanou americanos,
 
Fazendo todos hermanos
 
No mesmo ritual de amor.
 

E quando o gaúcho viaja
 
Entre os trastes do conjunto
 
Antes de qualquer assunto
 
Até do fiambre de viagem
 
Seu mate vai na bagagem
 
É o Rio Grande que vai junto.

Assim é o mate e foi Deus
 
Que inventou o chimarrão
 
E o índio nessa ocasião
 
Quando a saudade se expande
 
Tem o mapa do Rio Grande
 
Dentro da palma da mão.
 

Excerto

Imagem: O Mate em Cancun, México

Foto: Josana

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