sábado, 7 de junho de 2014

A Tristeza e a Fúria - Jorge Bucay - Zero Hora - Palavra de Médico - J. J. Camargo - Imagem - São Lourenço do Sul - RS - Brasil

... e lhe contei uma história que li há muitos anos num livro de contos de Jorge Bucay, um psiquiatra argentino:

"Num reino encantado havia um lindo bosque e, dentro dele, um lago de águas transparentes onde se refletiam todas as tonalidades do verde.
Nesse lugar maravilhoso, se acercaram para banhar-se, fazendo-se mútua companhia, a tristeza e a fúria. As duas tiraram as roupas e, nuas, entraram no lago.  A fúria, apressada como sempre está a fúria, urgida sem saber por que, banhou-se rapidamente e, mais rapidamente ainda, saiu da água. Acontece que a fúria é cega, ou pelo menos não distingue claramente a realidade. Por isso, apressada e nua, pôs ao sair o primeiro vestido que encontrou. E aconteceu que aquele vestido não era o dela, mas o da tristeza...
E assim, vestida de tristeza, a fúria se foi.
Indolente e serena, disposta como sempre a ficar onde está, a tristeza terminou o seu banho e, sem pressa, lenta e preguiçosamente, saiu da água. Na margem, deu-se conta de que a sua roupa já não estava ali. Mas, como todos sabemos, se há coisa que não agrada à tristeza, é ficar desnuda. Por isso, vestiu a única roupa que havia por ali: o vestido da fúria.
Conta-se que, desde então, muitas vezes deparamos com a fúria, intransigente, cega, cruel e agastada. Mas, se olharmos com atenção, veremos por trás do disfarce da fúria, na realidade, está escondida a tristeza".

Fonte: Zero Hora - 31 de maio de 2014

Palavra de Médico - J. J. Camargo é cirurgião e chefe do Setor de Transplantados da Santa Casa de Misericórdia - Porto Alegre

Imagem: São Lourenço do Sul, RS, Brasil

Foto: Jorge ou Josana

Ver:

Canguçu em Cores II

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