domingo, 27 de abril de 2014

Ray Bradbury - Mario Quintana

Eu queria escrever uns versos para Ray Bradbury,
o primeiro que, depois da infância, conseguiu encantar-me
com suas histórias mágicas
como no tempo em que acreditávamos no Menino Jesus
que vinha deixar presentes de Natal em nossos sapatos
empoeirados de meninos
e nada tinha a ver com a impenetrável Santíssima Trindade.
Era no tempo das verdadeiras princesas,
nossas belíssimas primeiras namoradas
- não essas que saem periodicamente nos jornais.
Era no tempo dos reis verdadeiramente heráldicos como
os das cartas de jogar
e do bravo São Jorge, com seu cavalo branco, sua lança e 
seu dragão.
Era no tempo em que o verdadeiro Dom Quixote
realmente lutava com gigantes,
os quais se disfarçavam em moinhos de vento.
Todo esse encantamento de uma idade perdida
Ray Bradbury o transportou para a Idade Estelar
e os nossos antigos balõezinhos de cor
agora são mundos girando no ar.
Depois de tantos anos de cínico materialismo
Ray Bradbury é a nossa segunda vovozinha velha
que nos vai desfiando suas histórias à beira do abismo
- e nos enche de susto, esperança e amor.

Mario Quintana

Fonte: Esconderijos do Tempo - Mario Quintana
Imagem: Camiseta com São Jorge - Pelotas, RS
Foto: Leila Marina
Lembretes:
Ler o Livro!
Presentear Livros!
Ver:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ray_Bradbury
http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rio_Quintana


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