segunda-feira, 22 de julho de 2013

Soneto ao Inverno - Vinícius de Moraes - Imagem: Canguçu - RS - Brasil


SONETO AO INVERNO

Inverno, doce inverno das manhãs
Translúcidas, tardias e distantes
Propício ao sentimento das irmãs
E ao mistério da carne das amantes:

Quem és, que transfiguras as maçãs
Em iluminações dessemelhantes
E enlouqueces as rosas temporãs
Rosa-dos-ventos, rosa dos instantes?

Por que ruflaste as tremulantes asas
Alma do céu? o amor das coisas várias
Fez-te migrar — inverno sobre casas!

Anjo tutelar das luminárias
Preservador de santas e de estrelas...
Que importa a noite lúgubre escondê-las?


© VINÍCIUS DE MORAES 
In Livro de Sonetos, 1967 


Notas:
1. Londres, 1939 
2. A obra completa de Vinicius de Moraes está disponível no site viniciusdemoraes.com.br 


Fontes:

Local da Imagem: Canguçu, RS, Brasil

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