domingo, 5 de maio de 2013

Arte de Prudência - A Pessoa Universal - Baltasar Gracián - Oráculo Manual e Arte de Prudência - ( 1601-1658)

Inescrutabilidade de cabedal

A pessoa circunspecta, se quiser ser respeitada por todos, evidente que se lhe sondem até o fundo de seu saber e seu valor. Permita que a conheçam mas não que a esmiúcem. Que ninguém lhe averigue  os confins da capacidade, pelo perigo evidente de uma decepção. Nunca dê lugar a que alguém a avalie por completo. Maiores efeitos de respeito causam a conjectura e a dúvida sobre até onde chega a capacidade de alguém, por maior que seja, do que a sua constatação.

C.d.t.: Sempre devemos ter uma reserva oculta, mas não tão oculta, que passe despercebida; sabendo os outros que ela existe, mas ignorando se é grande ou pequena, respeitar-nos-ão e pensarão duas vezes antes de cutucar a onça com vara curta.

Saber manter a expectativa
alimentando-a sempre; ao Muito prometa mais e a melhor ação pronuncie outras maiores. Não se aposte tudo no primeiro lance: é bom artifício saber moderar-se no uso de suas forças, de seu saber, e pouco a pouco ir aumentando o seu desempenho.

Da grande sindérese
Ela é o trono da razão, e a base da prudência, pois com ela tudo é fácil de acertar. É uma dádiva do céu e a mais desejada por ser a primeira e a melhor: é a peça principal da armadura e é tão necessária que a ausência de qualquer outra não faz a pessoa ser chamada de incompleta; mas dela, havendo menos, nota-se mais. Todas as ações da vida dependem de sua influência, e todas exigem a sua aprovação, pois tudo há de ser feito com bom senso. Consiste numa aprovação conatural a tudo que mais se adapta à razão, sempre se unindo ao mais acertado.


N.d.t. : Sindérese: faculdade natural de julgar com retidão; discrição; bom senso. É a palavra-chave de todos os ensinamentos de Gracián.

A pessoa universal, síntese de todas as boas qualidades, vale por muitas. Torna a vida muito feliz transmitindo tal fruição ao convívio.

Fonte: Oráculo Manual e Arte de Prudência - Baltasar Gracián ( 1601-1658)

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